CHILE - TERRA DO VINHO - Capitulo 1

 

Ricardo Albergaria

 

         Chegamos anteontem à cidade de Santiago no Chile para uma viagem de conhecimento dos vinhos chilenos, através de visitas as vinhas de três regiões vinícolas do país. No dia seguinte a nossa chegada fomos brindados com uma degustação orientada pelo sommelier Sérgio Aguillera do Crowne Plaza Hotel, de diversos vinhos chilenos de várias regiões vinícolas do país.

           Em três ou quatro crônicas pretendo resumir para vocês, meus leitores fiéis, as impressões que tivemos desta incursão pelo mundo do vinho chileno degustado “in loco”.

         “Chile é uma louca geografia”, resumiu com muita propriedade o poeta Pablo Neruda ao descrever seu país natal. A extensão do território no mapa sulamericano, com 4.300 quilômetros de norte a sul e 175 quilômetros de largura máxima lhe permitiu ter de tudo um pouco, nas quatro estações do ano. Quer frio em pleno verão? Simples, vá até a Patagônia e visite as maiores geleiras do continente. Deseja calor em pleno inverno? Percorra os meandros e trilhas do Atacama, uma região na qual o sol aparece, em média, 300 dias por ano. A primavera faz parte da vida de Arica cujo lema é, justamente, “a cidade da eterna primavera”. Mesma coisa no Litoral Central, onde além de Viña del Mar (a cidade jardim), se concentram outras localidade menos conhecidas, mas de beleza comparáveis.

         O Chile tem lagos vulcânicos, parques nacionais e regiões de verde intenso e constante. Hoje estou na cidade de Temuco, que fica próxima a cidade de Pucon, onde temos a presença de lagos vulcânicos e próximo daqui há um vulcão em atividade atualmente. Mas além das belezas naturais temos também tentações difíceis de recusar, como vinhos de qualidade mundialmente reconhecida, frutos do mar maravilhosos tais como: a Centolla (King Crab), a Macha e o Côngrio, e uma gastronomia tão especial quanto simples. Não podemos esquecer também, os esporte de inverno nas pistas de esqui do centro e do sul do país, ou a pesca esportiva nos lagos e nos rios Aysen e Punta Arenas.

         Não bastasse tudo isso, os chilenos, pelo que podemos notar, têm um enorme carinho pelos brasileiros, que nos foi traduzido por Dom Augusto da Marisqueria Augusto no Mercado Municipal de Santiago, “como um povo que traz aos chilenos a alegria, o ar fresco e deliciosamente tropical, um sorriso que se devolve em dose dupla”. Em resumo: somos bem vindos.

         Mas como viemos para degustar vinhos, então vamos escrever um pouco sobre eles. Nas duas últimas décadas, o mundo começou a conhecer os vinhos chilenos. Em 1998, o Chile exportou US$ 502 milhões em vinhos para 85 países, e ocupou o terceiro lugar do total de importações deste produto aos Estados Unidos, depois da França e Itália.

        Mais significativos ainda são os resultados obtidos no VinExpo 99, evento em que participaram 40 países, apresentando seus melhores vinhos de exportação. Os vinhos chilenos obtiveram 67 medalhas e 3 de 23 medalhas "doble oro". Os vinhos chilenos como grupo, ocuparam o segundo lugar no ranking de preferências, superados só pelo país anfitrião, a França.

        O Chile conta com uma tradição vitivinícola que data de 400 anos herdadas dos conquistadores espanhóis que colonizaram esta terra. A isso se somou o clima e a riqueza das terras que permitem produzir vinhos de alta qualidade.

        Muitas das videiras que crescem no Chile foram importadas da França no ano 1800, mesmo ano em que uma desastrosa praga de Phylloxera vastatrix  que devastou grande parte dos vinhedos do mundo. Entretanto, o isolamento imposto ao Chile por sua geografia lhe permite agora contar com as únicas espécies originais daquelas videiras. A Cordilheira dos Andes a leste e o Oceano Pacífico a oeste, isolam o país e lhe permitiram e permitem uma certa ”imunidade” quanto certo tipo de pragas agrícolas que assolam outros paises. Desse modo as parreiras chilenas são da espécie européia (Vitis vinifera) plantadas em ‘pé-franco’, isto é, plantadas diretamente no solo, sem necessidade de enxertá-las sobre raízes de espécies americanas, resistentes a phylloxera.

        A uva para os vinhos brancos que se cultiva no Chile permite produzir Sauvignon Blanc, Chardonnay, Riesling, Gewürztraminer, Chenin-Blanc e Semillón. A uvas para os vinhos tintos inclui, além da ícone Carmenere, outras como a Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir.

        As principais regiões vinícolas chilenas situam-se em vales de rios que lhe conferem os nomes. A saber temos:

REGIÃO NORTE

Valle del Coquimbo - é a subregião menos importante e subdivide-se nos Valles: Choapa, Elqui e Limari.  

Valle del Aconcagua e Valle de Casa Blanca - importantes subregiões ficam entre às cidades de Panquehue, na vizinhança da Cordilheira dos Andes, e Valparaíso e Viña del Mar no litoral.

REGIÃO CENTRAL

Corresponde ao Valle Central, a mais importante zona  vinícola do país, que possui as seguintes quatro subregiões:

Valle del Maipo - é a mais importante região vinícola do país, próxima à capital Santiago.

Valle del Rapel -  fica entre Rancagua e San Fernando e divide-se em Valle Cachapoal e Valle Colchagua.

Valle del Curicó - situado próximo à cidade de Curicó, é dividido em Valle Teno e Valle Lontué.

Valle del Maule - fica entre Molina e Linares e dividide-se nos Valles: Claro, Loncomilla e Tutuvén

REGIÃO SUL

Região de menos prestígio, fica próxima às cidades de Chillan, ao norte e Concepción, ao sul e divide-se em Valle del Itata e Valle del Bío-Bío.


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