Cinco opções para curtir o fim de semana em vinícolas da serra gaúcha

Sara Bodowsky faz um roteiro para curtir algumas vinícolas na Serra Gaúcha, com dicas de lugares conhecidos e outros a serem descobertos que privilegiam a experiência do visitante

 

Bento Gonçalves e Pinto Bandeira têm cada vez mais opções de turismo enogastronômico. Distantes cerca de duas horas de Porto Alegre, são destinos bacanas para um final de semana ou um dia.

Com uma história formada pelo trabalho de núcleos familiares compostos por imigrantes italianos, pequenas e médias vinícolas oferecem experiências inesquecíveis e divertidas em seus vinhedos. Fui conferir e trago cinco dicas hoje, direto do #RoteirodaSara.

 

1. Piquenique nos vinhedos da Larentis

 

A produção e o atendimento são familiares. O visitante é recebido com sorrisos e convidado à vinícola como os
italianos convidam à casa - com comida e bebida!

Quem assina os vinhos é o enólogo André Larentis, de 25 anos. A pouca idade não significa menor experiência: das viagens conhecendo vinícolas nos Estados Unidos e no Chile, trouxe ao Vale dos Vinhedos inspirações para incrementar o enoturismo. Um exemplo é o piquenique nos parreirais em floração, com toalha xadrez, cesta de vime, queijo, salame, copa, geleias coloniais e o pão da nona - muitas vezes feito pela própria, a dona Romilda Larentis, mulher do patriarca Cilo, que, junto com os filhos Larri, Olivar e Celso, fundou a vinícola em 2001.

Você pode escolher uma garrafa de vinho, espumante ou suco a cada duas pessoas. Sugestão: comece com um espumante e depois peça o vinho da uva teroldego, tinta do norte da Itália que se adaptou muito bem no terroir gaúcho - e especialmente aos vinhedos da Larentis. O valor é o de compra na vinícola. Só cuidado - as horas passam rapidamente, e você pode não querer mais sair de lá! Especialmente se o papo render com a dona Vera e o marido, seu Larri.

Na vindima, a Larentis oferece também a Colheita Noturna, que começa com degustação orientada de vinhos, seguida de uma colheita dos cachos à noite. Participei no início do ano, mas confesso que mais comi as uvas do que trabalhei. O evento fecha com tábua de queijos e frios, pão e uma polenta com molho preparada pela nona. E, é claro, muito vinho! As vagas são concorridas, e a vinícola já aceita reservas.

 

2. Dal Pizzol e o ecomuseu do vinho

A família Dal Pizzol trabalha com vinho há 13 gerações - sete no Vêneto italiano e seis aqui no Brasil, no distrito de Faria Lemos, em Bento Gonçalves. E justamente pela própria história, resolveu abrir ao público o seu Ecomuseu da Cultura do Vinho, onde os objetos em exposição são o resultado de décadas de preservação de utensílios usados pelas famílias italianas no preparo de vinhos e vinhedos.

O local com mais de 80 mil metros quadrados fica na Rota Cantinas Históricas, onde estão as vinícolas mais antigas da região. O caminho para chegar lá é lindo. Na Dal Pizzol, o visitante pode provar os produtos na loja ou comprar e degustar no incrível parque onde patos, pavões e gansos caminham livres. Também é bacana visitar o Vinhedo do Mundo, uma plantação com cerca de 400 variedades de uvas de 30 países. Durante a Vindima, no início do ano, é possível participar da colheita - que é transformada em um vinho com corte de todas as uvas.

 

3. Edredom nos parreirais da Cristofoli

 

A mesa é montada sobre um edredom em meio aos parreirais da Vinícola Cristofoli, também na Rota Cantinas Históricas, em Faria Lemos. Com a opção Almoço Charmoso ou Dolce Far Niente, a vinícola atende apenas um grupo por turno, para que a experiência seja a mais exclusiva possível.  Fui no almoço e foi lindo: além de um vinho ou espumante à escolha, o cardápio incluía focaccia, queijo colonial e azeite de oliva de entrada. Tudo preparado pela própria família. Ainda tinha salada e uma massa deliciosa servida com uma mistura de recheio de salame fresco com queijo, óleo e temperos. Confesso para você que comi tanto que achei que teria de ir embora rolando! Mas nada que um cochilo entre os vinhedos não resolvesse.

No happy hour, são oferecidos vinhos, tábuas de frios, canapés, salgados, bruschettas e frutas. Deguste os vinhos produzidos na Cristofoli, mas não deixe de provar o suco. Afinal, um dos lemas da vinícola é: "Se vinho é dos deuses, o suco de uva é dos anjos".

 

4. Espumante nas cachoeiras da Geisse

 

Em meados dos anos 1970, o enólogo chileno Mario Geisse chegou a Pinto Bandeira, contratado pela Chandon, para aportar o conhecimento técnico à produção de espumantes. E fez mais do que isso: desbravou a região, onde descobriu um terroir (condições de solo e microclima, em definição simplificada) propício para produção de espumantes com qualidade semelhante aos da região de Champagne, na França.

Todo o projeto concebido por Mario Geisse começou no vinhedo, não no espumante. As regras rígidas de elaboração garantem a qualidade e a assinatura dos vinhos Geisse, que de Pinto Bandeira saíram para o mundo. Hoje, a produção anual não dá conta de todos os pedidos. Há fila de espera.

E toda essa paixão do patriarca pelo lugar pode ser vivida no Geisse Experience. Um passeio incrível em meio aos vinhedos e à mata nativa em um veículo 4x4. Além de paisagens de tirar o fôlego e muita adrenalina, o caminho retoma uma das primeiras picadas abertas pelos imigrantes italianos que chegaram à região. E prepare-se: o passeio é acompanhado pelo Campeiro, cão adotado pela família Geisse e que tem como maior diversão seguir o trajeto correndo e fazendo a maior festa até o ponto alto da experiência: o recanto zen. Um deck de madeira sobre uma cachoeira onde os visitantes são recebidos com espumante geladinho e têm um tempo para ficar em silêncio, curtindo os sons da natureza e degustando tranquilamente um Cave Geisse.

Daniel Geisse, filho de Mario e tão apaixonado quanto o pai pela vinícola, me acompanhou na visita. A cachoeira e os córregos por onde passamos são parte da infância de Daniel, onde ele e os irmãos acampavam e passavam finais de semana. Tudo com muita emoção e carregado da história do espumante gaúcho. Inesquecível!

 

5. Pôr do sol e jantar da Don Giovanni

 

A vinícola e a pousada Don Giovanni dividem espaço no local onde há décadas era produzido um dos conhaques mais conhecidos do Brasil, o Dreher. A casa da família foi vendida, dona Beatriz Dreher casou com seu Aírton Giovannini, e, anos depois, retomaram a propriedade e a receita dos vinhos e conhaques - o brandy da Don Giovanni, por exemplo, é uma perfeição.

Hoje, a vinícola é uma experiência para todos os sentidos. As degustações na loja não têm custo, e o visitante pode passear até o mirante que fica em meio aos vinhedos ou contratar o serviço para que seja montada estrutura com espumante no local. O pôr do sol é emocionante. As cores e a sensação de paz e leveza fazem com que a gente se pergunte se quer realmente voltar para casa.

Mesmo quem não é hóspede da pousada pode fazer reservas para o jantar harmonizado realizado aos sábados. As receitas foram ensinadas por Dona Bita à cozinheira, que prepara a entrada, o risoto de alcachofra (plantadas lá mesmo), o frango ao vinho e a sobremesa (uma cassata de sorvete com cobertura de espumante e figo em calda). Cada prato é harmonizado com um vinho ou espumante. Se você der
sorte, ainda encontra Dona Bita e a família por lá.

Para quem quiser a experiência completa, recomendo hospedar-se na pousada. Os quartos antigos, decorados pela própria Dona Bita, têm as paredes pintadas por artistas locais. São ambientes carregados de história que remetem a um outro tempo: quando Pinto Bandeira era região de veraneio dos moradores de Bento Gonçalves, chamada de La Pinta.


 

 


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