Timóteo Domingos cozinha com ingredientes exóticos, típicos de Sergipe

 

 

 

Coxinha de cacto, pizza de palma, bolo de casca de abóbora, doce de folha de umbuzeiro... Plantas, sementes e resíduos facilmente descartados por qualquer cozinheiro ganham uma infinidade de aplicações nas mãos de um chef alagoano que vem chamando atenção pela criatividade e é um dos convidados do 17º Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, em Minas Gerais.

E tão supreendentes quanto as receitas são a identidade, a história e a maturidade do autor: o estudante Timóteo Domingos, de apenas 17 anos.

 

Antes mesmo de chegar à maioridade, o “Chef do Sertão” ganhou uma bolsa de estudos para cursar a graduação em Gastronomia, foi convidado a se mudar de Canindé, no interior de Alagoas, para a capital Maceió e ingressou na faculdade neste segundo semestre de 2014. Mas tamanha precocidade não assusta nem inibe o adolescente, cujas primeiras experiências na cozinha começaram ainda aos 7 anos de idade.

“Eu via minha vó cozinhando e foi surgindo a curiosidade. Comecei a ajudar e, depois, a mudar as receitas dela. Desde criança, vinham as ideias na minha cabeça e eu começava a buscar esses ingredientes. Com 8 anos, já tinha minhas duas primeiras receitas autorais: o brigadeiro de casca de melancia e o doce de umbu”, conta Timóteo, reforçando que não há nenhum profissional do ramo na família.

 

Mais do que fonte para as receitas, os cactos e demais plantas da caatinga nordestina servem de inspiração pessoal para o jovem chef, que se define como um sonhador e acredita na flora do bioma como “o alimento do Século XXI”, uma alternativa para acabar com a fome no sertão.

“São plantas muito nutritivas, mas muitas pessoas tinham e ainda têm um preconceito muito grande, porque elas normalmente são dadas como alimento para os animais. Mas é na persistência que a gente chega aos nossos objetivos, como os próprios cactos, que florescem na seca”, compara Timóteo.

O adolescente conta que começou a usar as plantas da caatinga em suas criações por necessidade e foi desenvolvendo as técnicas valendo-se da fartura na zona rural, onde morava. “Tive a ideia de vender tortas e cocadas nos intervalos das aulas na escola. Quando não tinha côco, eu usava o cacto para substituir, mas sem contar para ninguém (risos)", revela.

"Os ingredientes estavam todos ali ao meu redor, e foi de onde fui tirando as ideias. Enquanto muitos dizem que não serve para nada, eu chamo de “meu mercado particular”. É de onde vem a minha inspiração”, conclui o jovem.

No Festival de Tiradentes, Timóteo vai apresentar receitas e dicas de preparo com quatro tipos diferentes de cactos. “Um deles libera uma baba, parece com o quiabo, mas com um sabor que lembra mais o chuchu. Os outros são bem diferentes de tudo, não dá para explicar nem comparar”, avalia.

Ao comentar o convite e as expectativas para o festival, Timóteo não consegue esconder a ansiedade juvenil. “Boa parte dos chefs participantes eu conheço pela internet, porque estou sempre pesquisando. Vou aproveitar para tentar conhecer a todos eles pessoalmente”


Crie um site com

  • Totalmente GRÁTIS
  • Design profissional
  • Criação super fácil

Este site foi criado com Webnode. Crie o seu de graça agora!