Vale a pena comprar vinhos caros?

Os vinho de qualidade nem sempre corresponde ao de maior preço

 

Como alguém que não tem a menor intenção de virar um entendedor de vinhos pode saber se vale pagar alguns reais a mais por um vinho?

Um estudo feito na Escócia colocou cerca de 600 voluntários para participarem de uma degustação a cega. Eles tinham que provar uma sequência de dois vinhos do mesmo tipo, mas de preços diferentes e indicar o mais caro. Os preços variavam entre cerca de 5 euros para os mais baratos, até 100 euros para os mais caros. Então, mesmo com 50% de chance de acertar, a maioria errou!

A pesquisa concluiu que muita gente não consegue distinguir a qualidade dos vinhos pelo paladar e que comprar rótulos badalados algumas vezes se traduz em jogar dinheiro fora. Algumas pessoas não sabem reconhecer a qualidade, mas sim, porque, como sempre digo por aqui, vinho de qualidade nem sempre corresponde ao de maior preço.

Muitas revistas especializadas, como a Wine Spectator, fazem avaliações de vinhos às cegas. Numa avaliação “às cegas”, os especialistas não podem saber qual vinho estão provando, porém sabem qual a sua safra e região, de modo a ter informações que ajudem na avaliação, mas que não a enviassem pelo poder de uma marca. Ou seja, de um vinho produzido na região de Mendoza, na Argentina, com a uva Malbec, serão esperadas certas características. Mas o especialista não saberá se está provando um Crios da Susana Balbo (que custa R$45,00) ou um Angelica Zapata (R$300,00).

Existe uma forte correlação entre o preço dos vinhos e a pontuação que eles recebem às cegas. Em geral, toda vez que o preço do vinho dobra, sua nota sobe quase 3 pontos. Isso significa que, em média, para você sair de um vinho “excepcional” (90 pontos) e chegar em um “clássico” (95 pontos), você vai precisar pagar quatro vezes mais caro.

Isso soa muito caro, mas nem tudo está perdido. Não é necessário muito dinheiro para beber algo que presta. Para ficarmos em algo disponível no mercado brasileiro, um Trapiche Broquel Malbec 2011 está disponível por R$ 50,00. Vinhos neste estilo, geralmente não deixam ninguém triste ou arrependido de tê-lo comprado. São vinhos ótimos. Porém, o mundo do vinho não é tão simples assim, demanda escolher, comprar, provar, gostar ou não daquela safra. Voltar, escolher, comprar, provar, gostar ou não daquela safra. Voltar… É exatamente o que você pensou agora: demanda tempo e vontade de aprender mais e mais sobre esta bebida/alimento que tanto nos atrai pelo seuas aromas, sabores e histórias.

Mas, voltando a falar de preço e qualidade, temos que levar em conta que as faixas de preço de vinho no Brasil são, na maioria das vezes, determinantes. De 20 a 30 reais, pouca coisa vale a pena. De 40 a 80 reais garimpando se encontram vários bons vinhos, inclusive do velho mundo. De 80 a 130 reais é a faixa mais perigosa. Já bebi muito vinho de 80 ou mais reais que era puro over price, ou seja, o preço não estava condizente com a qualidade do vinho. A faixa de 90 a 150 estabiliza de novo, e geralmente encontramos bons vinhos. Já na faixa de 150 em diante penso que devemos garimpar novamente para não errar e errar feio. Já provei vinho de R$ 450,00 que não valiam metade de alguns vinhos bons de R$ 50,00 que já havia degustado antes. A frustração é diretamente proporcional ao preço do vinho que pagamos.

 

Em termos gerais, quando você quiser escolher aquele vinho para presentear alguém ou aproveitar uma noite com seu namorado(a), lembre-se que os primeiros adicionais reais investidos valem muito à pena. E, mais importante, aproveite e deguste o momento. Como dizia Roger Scruton, “o vinho, bebido na ocasião certa, no lugar certo e na companhia certa, é o caminho para a meditação e da paz interior.” Saúde.


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